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Granjinha/Cando

e Vale de Anta... factos, estórias e história.

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“Lá !“

19
Set09

 

 

 

“Lá! “

“Na  GRANGINHA!”

 

Lá, no Vale da Cabra, onde nas horas altas dos dias estivais de Agosto o sol caía de testa, uma figueira fartinha de figos, debruçada sobre a nascente e a poça da horta da Tia Olinda, era uma lauta mesa posta à descrição dos papa-figos, gaios, e demais passarada.

Ali, na horta da Tia Olinda, não faltava de comer nem de beber!

E quando o astro-rei já caminhava lá para o lado de Rebordelo, lá ia a tia Olinda, cheia de cuidados, deitar, à vez, naquela pia de pedra, baldões de água tirados da poça com o grabano (garabanho), que depois corria pelos regos das couves, das cebolas, dos pepinos, dos pimentos, dos tomates e pelo pé de alguma melancia que sobrassem do assalto dos moinantes.

Seguiam a Tia Olinda os gandulitos da Granginha   -  o João e o Nel, o Luís da Tia São e o Luís da Alice do Treno, o Mário e o Júlio da Alcina do João Carteiro   -   a encher a barriga de amoras, colhidas às mãos cheias, das imensas silvas, ora abraçadas, ora enroscadas, nos muros que definiam os caminhos desde o “CAMPO” até à Sobreira, o Vale Coelho ou o Vale da Cabra.

Mais pela tardinha, lá seguia o mesmo caminho o Quim das Chardas, com a espingarda aprontada e o olho treinado, para caçar umas narcejas ou umas codornizes.

O Tó ia a caminho da “Aberta da Tia Aurora”, buscar um molho de chamiça ou de carqueja para a Tia São cozer as batatas.

A Laurinda, a Amélia e a Jesus juntavam-se na Pipa em risadas marotas, fazendo desconfiar das suas intenções os gandulitos quando iam misturar à barrigada de amoras uma barrigada daquela água fresquinha, tão apetecida mesmo que não houvesse sede.

Naquele tempo, à “Pipa” até «os da cidade» vinham beber!...

E os rouxinóis, atrevidotes e desafiadores, parece que até faziam de propósito virem pousar nas galhas das árvores que davam sombra à fonte, e dali desafiarem a garganta do Luís da Tia São.

Depois da ceia, lá no Largo do Carvalho, com a Tia Quinhas sentada à entrada da eira, a Tia Aurora à janela, a Tia Maria do Campo à varanda, reuniam-se os gandulitos e alguns Tios e Tias.

As corujas e os mochos piavam lá pelos telhados dos palheiros e os grilos faziam coro melodioso.

Com os olhos pregados nas estrelas, o Luís da Tia São cantava modas da moda,  cada vez mais envaidecido com os louvores da Requeta, o sorriso contente da Avó São, e as insistências da plateia.

Era no tempo em que nos fartávamos do caldinho de chícharros, que ora nos traz tão ougadinho.

Ougadinho?!

Mas se o pouco que naquele tempo tínhamos era todo tão bom, tão bom, como não havemos de andar pr’áqui ougadinho, tão ougadinho de tudo o que por lá havia?!

Vá lá! Que ainda resta alguém que vai cuidando da GRANGINHA!...

 

                                                                                  Luís da Granginha

 

 

                                                                      

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